Translations - Portuguese - Dea Introduction

Irmandade de Isis Liturgia
Por
Olivia Robertson

DEA, RITOS E MISTÉRIOS DA DEUSA
“Cerimônias básicas e drama dos mistérios”

Introdução: O uso dos Ritos e dos Mistérios

 
Os princípios da religião da Deusa concentram-se ao redor da lareira, do lar, da morada. Esta pode ser o fogo queimando no centro da terra ou o próprio sol, pois esta é a fonte da manifestação vida. Dentro do corpo de todas as mães, sejam Deusas, mulheres, fêmeas que dão à luz a ovos ou a sementes, a chama interior é o centro Divino. Nele está nossa própria vida, nosso coração, que bate constantemente para nos manter vivos e estabelece o ritmo da dança criativa.  O coração do Cosmos que bate constantemente dá o ritmo a todos os outros corações, até mesmo o leve pulsar da grama crescendo. Num nível terreno, o coração garante vida. Em outros níveis é Amor, já que o coração existe em todos os níveis.

As mulheres são sacerdotisas inatas da Grande Deusa, portanto têm o controle das lareiras. Onde quer que alguma chama queime, lá estará o Fogo Vestal guardado por Hestia. A tradição na Irlanda e em muitos outros países é que o fogo na lareira nunca pode ser apagado. Na época do Solstício de Inverno, o fogo é renovado com as brasas do fogo que está sendo substituído em Yule. É uma tarefa feminina manter esse fogo acesso e é uma tarefa masculina garantir combustível para que o fogo queime.

Para que um altar dedicado à Deusa seja erguido é necessário que este fogo maternal esteja presente. Em qualquer quarto de hotel, por mais impessoal que seja, em um apartamento ou num pequeno jardim, o fogo Vestal é o mesmo e garante os mesmos poderes como aqueles garantidos pela Deusa nos grandiosos templos antigos. Este fogo sagrado pode ser representado por uma vela acesa, uma vareta de incenso, uma tocha ou mesmo um pequeno fogareiro. A fumaça representa o ar, o hálito sagrado que mantém o fogo vivo, assim como nosso fôlego combinado com o pulsar do nosso coração. Pela Lei Divina da Correspondência, tudo neste plano é uma representação material de uma realidade em outra esfera. Quando uma vela, incenso ou fogareiro é aceso com a intenção de honrar o Divino, um centro de comunicação é criado, estabelecendo uma conexão na corrente dourada, através dal qual é manifestada os poderes da Divindade que se invocou.

Após ter sido estabelecido o local do altar, é preciso criar uma proteção, uma esfera que possa guardá-lo. No passado, era uma tarefa masculina construir a morada ou o templo que guardasse o altar. Essa esfera, em grande escala, pode ser compreendida pela escuridão espacial que sustenta as galáxias num abraço obscuro. Pode ser também a atmosfera azulada com nuvens macias que mantém nosso planeta protegido como uma vestimenta sagrada. Pode ser também a crosta terrestre na qual todo o mistério está guardado. E pode ser também a camada protetora do útero, que contém uma criança ainda não nascida e reconhecida em pequenos animais: a cobra que protege seus ovos internamente em uma concha líquida, guardando sua cria e sua semente.

Apesar de respeitarmos os grandes templos, um quarto simples ou mesmo um bosque podem formar a esfera protetora do fogo divino colocado no altar. Este altar pode ainda ser psíquico, não precisa ser necessariamente construído com as mãos. O devoto, sentando em silêncio, contemplando, mesmo num recinto lotado, pode construir com a ajuda da visualização criativa um altar que vai garantir a privacidade da Alma. Pois essa proteção não é somente um útero ou uma casca, mas sim um estado de espírito. Levamos nossos templos acima da manifestação material.

Feito de pedra ou madeira, o altar é o trono de Ísis, o Palácio de Athena, o Corpo de Gaia. É o ponto de encontro entre as divindades e o devoto. Neste altar, Deusa e Deus se manifestam tanto em hierofantes quanto em todos os participantes. Os elementos colocados neste altar são focos materiais, sendo assim, a Divindade pode se materializar através da terra, ar, fogo e água e também através do óleo, que representa a união dos Quatro Elementos primordiais. Qualquer superfície ou mesa em um recinto pode ser utilizada como altar, assim como qualquer ponto cardeal, já que todos os cantos são sagrados à Deusa. No altar deve haver uma vela, uma pedra ou planta, incenso e um copo com água; sendo abençoados pelo devoto, são usados como foco para acessar a realidade mais profunda, espiritual.  Todos os elementos, todos os átomos, contêm a centelha necessária para a transformação.

Através desta realidade, o devoto invoca os Deuses e com um simples toque pode despertar a centelha divina em cada objeto.  A Terra protege, mas em outros níveis representa força e estabilidade. O Fogo traz vitalidade e em outros níveis representa o amor. O Ar simboliza a mente, o espírito e assim deve ser livre para se movimentar através do recinto. A Água é tão receptiva que deve ser mantida pura, mas sempre fluindo, vale ressaltar que como as emoções estagnadas, impedem a energia de fluir. Embora o simbolismo oculto possa variar em diferentes sistemas, o princípio é o mesmo. Todo e qualquer objeto, por mais humilde que seja, pode se tornar uma chave para acessar as realidades em outras esferas. O propósito de um ritual é fazer vibrar uma nota em outros níveis, mesmo que com um sino, gongo ou sistrum, e assim despertar a mesma nota em harmonia com o seu ser.

Quando um altar é despertado através de sua verdadeira nota e cor, inicia-se uma melodia, como se fosse uma harpa bem afinada. É a consciência do devoto que produz esta transformação, pois os Deuses abrem as portas para aqueles que batem nelas. Eles respondem os que estão prontos e buscam a expansão da consciência e com isso o caminho da iniciação. Os espíritos elementais, as Sidhe, Devis e Devas, irão caminhar em harmonia com aqueles que tratarem os Elementos com respeito. Nenhum espírito deverá ser comandado, nem mesmo se for possível: eles atendem de bom grado aqueles que realizam o trabalho da Grande Mãe!

Os ritos deste manual começam de uma maneira muito simples, para aquele devoto que esteja iniciando a trilhar os caminhos dos mistérios e está sozinho. Hoje em dia, solidão é um estado muito desconfortável vivido por muitos, especialmente por aqueles que são atraídos pelo oculto. Em tempos passados os perseguidores, reis e homens da igreja, que matavam os que possuíam dons psíquicos pelo menos sabiam que estes dons eram reais. É, possivelmente mais aceitável ser queimado, enforcado ou afogado do que ser preso em um sanatório como um paciente que sofre de alucinações. Milhares de homens e mulheres se sentem sozinhos, pois tem consciência da esfera psíquica a qual eles desejam aproveitar, mas não ousam, pois seu medo do ridículo ou da humilhação os impede. Ninguém gosta de ser considerado louco. A criação de um altar ajuda o praticante solitário a estabelecer um lugar seguro para a alma, onde o desenvolvimento psíquico pode acontecer sem perturbações de familiares que não simpatizam com a causa ou vizinhos. Este local seguro pode ser um quarto pequeno ou um jardim. Tudo o que é preciso e essencial é o poder de visualizar imagens com os olhos fechados ou imaginar palavras lindas e música sendo criativo.

Contudo, representações físicas são de grande ajuda. Uma figura da Deusa e um incenso podem passar despercebidos... E quem irá ser contra uma caixa de fósforo e um copo de água? Um fósforo aceso é o suficiente para invocar o elemento Fogo, mas todo o cuidado é pouco, independente de qual esfera vais trabalhar. Uma música tocando ao fundo ajuda a mente a levantar vôo e a leitura de rituais estimula o espírito. Quando o uso constante do altar começa a se estabelecer, o devoto começa a receber a ajuda preciosa dos seres de luz e aliados. A união com os Deuses não é somente mais uma promessa, se torna um fato! E então vem a escolha. Existem aqueles que preferem caminhar sozinhos, é um caminho muito respeitado e valoroso, mas a intenção destes rituais e trabalhos é que sejam expandidos para os colegas e grupos. Dois ou três amigos, reunidos, descobrindo e fortalecendo a alegria e os poderes garantidos através do contato com os Deuses. A experiência vem através de discussão e prática. Uma visão mais ampla é garantida aos que meditam e relatam suas meditações. Um caminho multi-colorido é criado, onde algumas experiências são semelhantes, outras diferentes, mas cada uma é única.  Os guias podem variar, desde nacionalidades até panteões e conforme os trabalhos evoluam, os que participam deles também evoluem e com isso a consciência de que todos estão em harmonia com o trabalho em favor da Humanidade.

Há planos inferiores aos nossos? O que pode interferir nos nossos trabalhos? Não existe interferência, os níveis se entrelaçam e precisam um do outro. Pois há apenas uma certeza: somos todos diferentes e temos todos algo a oferecer à Grande Mãe, além de hinos e preces.

Os ritos diários oferecidos nesta liturgia são de grande ajuda ao praticante solitário ou mesmo para duas ou três pessoas vivendo na mesma casa. Os rituais sazonais são especialmente configurados para os grupos que se encontram ocasionalmente.

Nos ritos sazonais, as invocações são centradas em uma época especial do ano, como os movimentos cíclicos dos astros e com as mudanças das estações na Terra. Para aqueles que vivem em cidades grandes, longe da natureza em seu estado mais conservado, até a visualização do Stonehenge ou mesmo de uma constelação ou da estrela polar no Solstício de Inverno pode trazer à alma alimento e conforto, assim como lembranças de uma vida passada e harmonia com os espíritos. Quando se celebra os ritmos da Terra, uma harmonia com o cosmos é garantida. Em um recinto durante um ritual, uma televisão pode representar os mistérios do Sol, assim como a lâmpada pode ser um signo do universo que nos circula, os tapetes são a trama da vida, a cama o leito da terra e as paredes representações das nossas próprias barreiras e obstáculos. Tudo se torna sagrado quando visto da perspectiva divina.

O uso criativo da imaginação divina ajuda a alma, enquanto o corpo aguarda e poucas mudanças acontecem nos arredores materiais, mas com a mente é diferente. E assim é o caminho espiritual do desenvolvimento, mas quando a atividade ritualística é criada, o poder é manifestado nas esferas materiais!

Toda forma de arte fortalece os rituais e traz à tona mudanças profundas. Quando liturgias antigas são recitadas e as palavras de poder proferidas, o som repercute através dos séculos, som invocando som. As palavras ditas, mesmo que traduzidas, reforçam  aquelas usadas nos templos, a séculos atrás.

Nestes ritos da Irmandade de Isis, invocações antigas, hinos e diálogos foram usados baseados em liturgias antigas de muitas religiões. Pois é chegado o tempo em que Iris, a mensageira do arco-íris, cria uma ligação entre os diversos tipos de fé. A comunicação através de novos métodos de ligação, sem-fio, televisão, jornais e livros, esta forçando as pessoas a se tornarem conscientes de novos horizontes religiosos, muito mais amplos do que se foi sonhado. Nenhuma religião pode dominar a terra e forçar a rivalidade entre crenças ou acusar de heresias. Por isso os sábios aceitam e estão procurando por pontos em comum que se harmonizem e que possam trabalhar juntos. Por isso, nestes ritos são utilizados preces, hinos de Karnak, Babylon, Africa, As ilhas nórdicas, India, China, Japão, os países celtas. Pois tudo é relevante e sem uma fé, a sinfonia mundial se torna deficiente. Nós aceitamos os dons das mais diversas artes e trabalhos de cada canto do planeta e apreciamos, aprendendo a reconhecer a beleza de cada religião esotérica, com cada contribuição única, vinda de todo o planeta.

Qualquer ritual que invoque os Deuses através de uma religião misteriosa – que lida com o desconhecido – tem o efeito garantido através dos níveis de consciência e da própria Terra. Através das eras, as pessoas vêm aprendendo a se comunicar com os que habitam outras esferas. Precisamos de todo conhecimento, compreensão e bons fluídos que pudermos obter para que possamos viver aqui em paz uns com os outros, com todos os seres vivos e com todas as criaturas, somente assim poderemos ser felizes em todas as esferas, incluindo o pós-vida.

Entretanto, foi usado neste rituais um fator comum para interação: a Fonte Materna, a Deusa Mãe, e existe uma boa razão para isso. Durante a Era do Ferro, que durou aproximadamente 3.500 anos, os Deuses e o Deus têm sido invocados e cada vez mais a Deusa foi excluída. Agora este período tem dado espaço para a era sub-atômica ou era espacial, envolvendo cada vez mais o aparentemente sobrenatural “Éter”. Para proteger a vida no nosso planeta é essencial que o equilíbrio e a harmonia sejam restaurados, principalmente no ocidente, onde a energia Marte-Saturno ou machista-agressiva predomina. A natureza psíquica e atraente da Deusa se faz necessária para que Marte seja acalmado e Saturno amansado. Quando uma espécie está em perigo de extinção uma transformação significativa acontece. Esta transformação é voluntária, acontecendo entre os que trilham o caminho do Oculto. Para evitar este processo é necessária uma ação que una tanto o psíquico quanto o físico: Neste momento o ritual cumpre seu propósito, fazendo uso das artes e da expressão saudável de sentimentos em forma de movimento para que se alcancem as esferas do despertar místico.

Uma procissão em espiral em direção ao templo ou ao quintal certamente envolve as duas esferas: psíquica e material. Após a cerimônia, o campo ou o jardim se apresentam diferentes, uma atmosfera mais viva, que pode ser sentida por aqueles treinados nas artes ocultas. O uso de capas e vestimentas, jóias e acessórios, assim como a música, certamente fortalecem o ritual. No entanto, se os vizinhos se sentem incomodados com o barulho e com a movimentação, tudo o que é preciso então é uma caminhada calma e serena na qual as bênçãos e energias curativas são enviadas para as plantas e para a Terra, voltando em seguida para um local fechado onde se efetuará devidamente o ritual. Após o término, se faz necessário o retorno ao ambiente externo, de prefência pelo caminho contrário, isso não é para desfazer as bênçãos e sim para ampliá-las, intensificá-las e distribuí-las para a vizinhança, para a Terra e para as plantas!

É melhor que durante os rituais e mistérios se use realmente plantas e terra,  água e fogo, óleo e incenso. Mas estes podem ser simbólicos ou ter uma representação simples e humilde. Os elementos Água e Fogo podem ser representados por uma mangueira com água corrente e um pequeno fogareiro.

O ritual inicia-se com a invocação de uma divindade e encerra-se com o devido agradecimento à divindade invocada. Agradecer envolve uma aceitação da graça atendida, muitas vezes rezamos e esquecemos logo em seguida. Portanto, por sete dias ou talvez nove após o ritual os que tomaram parte no rito devem ficar atentos para possíveis efeitos, já que a consciência só pode perceber aquilo que está acontecendo conosco no momento. A aura ao redor de plantas e árvores pode ficar mais aparente, uma vitalidade toma conta não só dos participantes, mas também de seus entes queridos e amigos, curas acontecem na vizinhança. Nenhum participante permanece o mesmo após participar e aproveitar verdadeiramente de um ritual.

Nos rituais, os Deuses abençoam a comida e a bebida e garantem suporte e ajuda. Os rituais são para todos, mas os Mistérios vão além. Os mistérios são para os que estão preparados para um desenvolvimento maior na ordem do ser e tal desenvolvimento não pode ser trazido à tona por qualquer cerimônia, mas a cerimônia prepara a alma e a personalidade para aquilo que está por vir. Isso pode ser numa fração de segundo: assim como um passo é dado para entrar no Outro Mundo, o levantar dos véus pode vir tão inesperadamente quanto a morte ou mesmo de forma tão intensa quanto o amor e é tão benéfico quanto.

Os Mistérios contidos nos próximos rituais são apresentados de maneira nova, mas são os mesmos praticados por nossos ancestrais. Qualquer um destes pode ser usado para a iniciação: uma mudança de estado. Assim como podem ser usados para funerais ou para batismos, casamentos ou qualquer outro rito de passagem. Estes Mistérios são relevantes para qualquer alteração de consciência.

O drama de Isis e Osiris era encenado pela corte egípcia nos templos e apresentado para os mais simples. No entanto, para entender este mito é preciso compreensão sobre-humana, já que cada mistério se expressa em diversos níveis de acordo com a percepção do participante. A primeira vista, a história de Isis, Osiris e Set é um thriller, um suspense, Osiris é morto e sua esposa com a ajuda de um amigo esperto busca os fragmentos do seu corpo. Neste conto sobre um Rei, uma Rainha e um irmão tinhoso, os virtuosos são recompensados e os vilões punidos pelo herdeiro do trono, Horus. A história reforça aqueles mistérios encenados fora das catedrais medievais onde Judas é mostrado com os cabelos vermelhos de Set. Até mesmo intervalos cômicos são apreciados. Esta necessidade cômica, a percepção da incongruência dos níveis diferente interagindo era aceita pelos gregos, mas por eles relegado a um breve epílogo, diferente do drama central, mas na antiga Babilônia a Deusa tem conversas bem humoradas com Neti, guardião do portão do submundo – quando ela ameaça arrombar os portões se ele recusar abri-los para ela. Mas conforme a humanidade vai se intelectualizando, se afastando da natureza, humor é considerado como irreverente, então até alcançarmos os mistérios gregos, não nos é permitido ter humor, a comédia é relegada a necessidade de uma catarse vulgar.

Os mistérios vão se tornando mais filosóficos em outros níveis de compreensão, uma vez que o conhecimento secreto dos sacerdotes se tornar amplamente conhecido. Uma vez que o caixão construído por Set para seu irmão Osiris foi entendido como sendo o corpo humano, os fragmentos do corpo do faraó foram vistos como partes do Egito, ou como parte de um corpo humano não iniciado. Através diste compreensão arquetípica, Isis não é mais somente uma amada Rainha, mas o arquétipo feminino de devoção marital. Mas conforme essa identificação de virtudes e qualidades com divindades os tornou mais sublimes, mais apropriados para a devoção pelos mais educados, também os tornou menos reais, já que Isis não será  mais uma mulher de verdade, ou Osiris e Set homens de verdade, qual a importância deles para nós quando estes somente representam personificações de qualidades abstratas? Por que não respeitar as virtudes e evitar os vícios – sem representar estes com cabeças animais ou humanas?

Uma ves que a religião se tornou dividida com a filosofia, onde o pensamento abstrato prevalecia: a prática teúrgica para as pessoas que ainda queriam ajuda e comunhão com os Deuses. Obviamente, naquele tempo as pessoas queriam uma família comum de carpinteiros em Nazaré, muito mais do que seres arquetípicos que lhes foram ditos que não eram reais. O culto dos santos trouxe de volta a ajuda amiga e o calor de seres vivendo num mundo melhor e mais gentil além da tumba. Os santos fizeram os mesmos trabalhos que Deuses e Deusas fizeram, já que eles mesmos viviam na esfera psíquicas, e tinham como influenciar o mundo material.

Então os mistérios foram divididos, conforme a consciência humana foi se transformando e se tornando mais intelectual. Os dramas, sejam gregos ou mais tarde, Europeus começaram a trabalhar com os conflitos mais humanos. Os mistérios religiosos tinham somente um alvo: as massas. Só as ordens secretas e esotéricas mantiveram os antigos dramas religiosos. Estes não são dramas seculares. Os mistérios são meios com os quais o devoto agracia amplamente as Deidades, tanto através de identificação quanto devoção, alcança-se harmonia, uma comunhão com os Deuses. Finalmente a divindade latente desperta nos filhos e filhas dos Divinos.

Estudando os rituais pode parecer que há somente um lugar ou dois para os neófitos em cada dramatização. É necessário refletir que é Osíris quem morre e renasce, e assim é com o candidato à iniciação. Psique e Demophoon aprenderam lições necessárias de suas Divindades tutoras, Teseu foi guiado através do labirinto pela Sacerdotisa Ariadne, cada um de maneira individual, a mudança acontece num nível individual.

Mais num olhar mais próximo, percebe-se que as Divindades também expandem a consciência individual através de um relacionamento com aqueles que não são tão elevados quanto Eles. No drama indiano, Khrishna aprende compaixão pelos homens e animais através de um homem mortal, Arjuna.  Pois todas as criaturas são uma manifestação única da sempre existente realidade divina, toda criatura é necessária para trazer harmonia ao todo.  Mesmo um ser poderoso pode aprender algo de uma criatura menor e então descobrir novas maravilhas, já que não existe melhores e piores quando se fala em qualidades, a única diferença é a quantidade.  Mesmo Deméter, a Grande Deusa, aprende a compartilhar sua filha com Hades. Hades por sua vez devolve Persephone para sua mãe, de acordo com as fontes gregas, por meio ano somente, mas de acordo com uma outra versão do conto, Persephone fica um terço do ano com a sua Mãe, outro terço com Hades e o outro terço com seus amigos na terra.

Existe uma semelhança deste drama com o conto de Shakespeare, “Tempestade” e também com a ópera de Mozart, “A flauta Mágica”, tem-se uma garota, símbolo da alma humana, com pais que são Deuses. Mãe e pai estão longe um do outro, no mito grego a mãe é bondosa e o pai é aterrorizante. Conforme o patriarcado avança e prevalece no ocidente, percebemos um novo padrão no conto de Shakespeare. A mãe é quase inexistente, ou é representada como uma bruxa má, Sycoraz. O pai é um mago puritano que explora os elementos do espírito e os nativos que moram na ilha em que ele é exilado.  A trama da “Flauta mágica” tem um inicio controverso. A mãe, rainha da noite era boa a princípio: O Sacerdote Zarastro, maligno. Mas fazendo jus a um conto bem similar da época a trama é revertida. É interessante notar que na adaptação da Opera por Ingmar Bergman a interpretação é levada aos extremos. A rainha da noite é retratada como uma mãe possessiva e demoníaca usando a sua filha para o assassinato do pai. O pai é retratado como um patriarca exemplar, sendo o líder da Ordem secreta dos Ocultistas Protestantes. Obviamente o coro final “Oh Isis e Osiris” é omitido. É o problema Escandinavo do divorcio, quando o pai abre mãe da custódia da filha sem potencial intelectual  e do herói fracote. A era do ferro se expressa nesta adaptação nórdica do conto, sendo totalmente hostil a Grande Deusa Mãe e comprometido com o patriarcado. Persephone é a filha obscura, humilde, submissa, obediente somente ao pai, suportando os ataques do seu servo , ela precisa da ajuda e do resgate de suas irmãs, as Valkyrias!

Que pobre é essa interpretação dos mistérios de Demeter e Persephone. É para o mito antigo que devemos nos voltar, para a integridade. A natureza tríplice de nos mesmos e da Deusa como apresentada no Olimpo, a Rainha  Criadora e a sorridente Donzela dos campos floridos das artes e da natureza e a Rainha dos mistérios, a Encantadora obscura do Hades. Durante a era de ferro somente um arquétipo era reverenciado e imposto as mulheres como modelo de conduta, a virgem, a doce Mãe-Virginal, que ajudava a humanidade somente através de Suplicas ao Grande Pai, mesmo quando as mulheres seguiam este ideal, a admiração era garantida somente as jovens, pois quando envelheciam era consideradas como velhas sem importância, solteironas. Para um povo não educado, sem força e sem estabilidade financeira, o que mais lhes restava senão a sua mera crença?

Quão poderosas são as solteironas, as Eumenides: Estes rituais invocam as Fúrias, as Eumenides, rainhas do submundo. Os poderes obscuros das Mães não devem ser temidos e sim respeitados. Da terra escura brota o grão fértil e a árvore da vida, na qual os pássaros dourados criam ninhos se apóia no solo. Ninguém precisa desconsiderar a velhice ou ignorar a necessidade natural que vem de dentro do corpo. Mas se as mulheres foram ensinadas a se envergonhar do poder da Mãe obscura interior e a temer a Encantadora que garante os dons psíquicos, os homens foram banidos do mundo espiritual quando lhes foram ensinados a se envergonhar da sensibilidade, do amor artístico, psiquismo, do cuidado e do carinho com as crianças e animais e plantas. Um desenvolvimento não natural da sensibilidade feminina e uma brutalização e dureza  nos homens, negaram em ambos os sexos uma completude, lhes foi negado um lado do cérebro, um pé, uma mão. Nós precisamos de ambas as mãos, de ambos os lados do cérebro e ambos, alma e corpo para que possamos aproveitar verdadeiramente nossos eu interior, nós mesmos.

Aqueles que se identificam com vários Deuses, que os reverenciam e os amam, encontrará integração com a consciência. Pois existe uma divindade para cada pessoa, sendo humorada, séria, alegre, cheia de vida, forte ou gentil. Não só cada pessoa é representada por uma divindade, mas o amante ideal também é apresentado: Pois Isis tem dez mil nomes e Osiris dez mil faces. Eros é visto como amor, mas é colorido por raças, famílias, proles de acordo com a devoção de Psique. E Psique aparece ao amante de maneira única, somente para ele. Por isso, a Divindade deve ser buscada através de meditações, amada naqueles que conhecemos e descoberta através dos mistérios. Este é o segredo sombrio do submundo, este é o estigma do labirinto, é o segredo ensinado por todos os professores. É um segredo aberto, mas as palavras podem dizer, a Esfinge retratar, mas somente quando os mistérios são experienciados é que podem ser conhecidos. Uma espiga de milho é colhida em silêncio. 

Que aqueles que efetuarem estes rituais  alcancem seu verdadeiro eu.

 

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